a própria

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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

com diria rilke, o belo é terrivel(ou vejam lá o que se esconde por trás dele)

um dos muitos canos pelos quais entrou(ou saiu, como queira) a beleza de baia formosa



no começo, com vimos no post de abertura, tudo são flores. e matas e córregos de água limpa. manguezais de vivos habitantes, lagoas sem assaltos, matas convidativas, praias limpas e tranquilas. logo tudo começa a mudar - para pior - a boa gente torna-se bucha pra canhão e de tão perdida começa a se contorcer como cachorro que morde o rabo. muitas promessas de políticos de como tornar a cidade promissora para os habitantes que há anos repetem o círculo de credulidade, incredulidade. é o retrato de baía formosa. não é diferente no resto do brasil. mas com diz o ditado popular, lei de murici: cada qual cuide de si. e o si neste caso são os nossos problemas.

depois de muitas histórias, muitas delas ainda desconhecidas, inclusive pela própria população autóctone, os papagaios que hoje bebem na baía são outros. e decididamente não contribuem para manutenção das características de uma povoação de beleza e características diferenciadas, a começar do fato de ser reconhecida como a única baía do estado do rio grande do norte. formosa é realmente a baía, e não só no nome, mas infeliz e desgraçadamente(ainda dá tempo de evitar, sussuram otimistas) de formosura em grau de ameaça já bastante avançado,o que qualquer nariz mesmo não treinado é capaz de constatar, e olho de se ver, que não seja tapado.

a razão desta aviltação social e e cultural, são os interesses de sempre: a gana da grana a qualquer custo, sob golpes que vão da especulação imobiliária, ao desrespeito as leis ambientais, praticas políticas fraudulentas incrustadas no populismo que vai do assistencialismo simploriedade da distribuição de botijões de gás, a aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável visivelmente equivocado na forma de práticas antagônicas ao conceito - e não só - e na falta de uma gestão municipal que, pelo menos, implemente o desenvolvimento humano antes da busca desenfreada do lucro burro e do bem estar particular para além do ego-lucro que escraviza e impregna de valores ainda mais distorcidos aos nativos, acabando por guetificar ("ala dos marajás")¹ o que deveria ser convivência enriquecedora múltipla. por isto, muito antes dos demagógicos títulos de ações de desenvolvimento social-econômico, tendo como substrato o desenvolvimento do turismo, que no brasil, costuma muito mais que desenvolver(como se o turismo fosse panacéia para tudo)atrofiar, ao violentar os paraísos naturais uma vez que ações são sempre baseadas em manobras especulativas - economicas ou políticas - passando longe dos valores de sustentabilidade que respeitem não só as características geográficas mas acima de tudo a geografia humana que nestes locais encontram-se "normalmente" em estado lastimável de miséria. miséria que tende a piorar ainda mais, já que incorpora por indução a prática do vale tudo para " se dar bem", numa mimese ideológica da pratica dos dominadores, que vitima os de bem e perpetua os de mal, causando estragos a sí próprios, uma vez que a chamada indústria do turismo sob tal ótica tem preocupações apenas extrativistas, sem procurar intervir positivamente no meio ambiente(em sentido mais amplo compreendendo também as pessoas e suas mentes) no sentido de educar, treinar, incorporar a população às necessidades de uma nova mentalidade que deve contemplar parcerias, que necessitam bem mais que valores pseudo ecocorretos e sim de educação para todos os envolvidos.

após mais de 40 anos de uma frequência discreta mas constante a baía, e um acompanhamento apaixonado à distância, vamos concretizar a nossa epopeia de finalmente residir num pedacito de terra, adquirido de forma mais legal impossível - sob a rubrica de edital municipal - e que ainda assim, caso do loteamento alto do pau ferro, arrasta toda sorte de ilegalidades cometidas por administrações municipais lesas-pátria ao município e dos cidadãos que não aderem a prática do conluio, da exploração e subjugação dos nativos, ocupando suas terras em troca de quinquilharias, e que mesmo assim, quiçá por ironia, já teve seu pedacito invadido, depredado, quase surrupiado, em ação orquestrada por falsos donatários da capitania assentados em turba que tem terra e se fantasia de sem, calcados no inexistente direito de posse a propriedade por nascimento local, cujo predicado de hora para outra rapidamente abandonam de acordo com a moeda de ocasião, e cujo câmbio é a conveniência de entregar suas "terras de posse" por ninharias ensaiando invadir outras, e de uma certa maneira ação apoiada por gestões municipais que a tudo assistiram sem tomar nenhuma providência a não ser a formulação da antológica frase - de um hoje ex-prefeito - ante o relato da invasão: " não vou brigar com o meu povo".

não é por isso que a baía vai deixar de ser formosa. mas abre corrego para se tornar tenebrosa. e isto não é fala de papagaio. afinal, as origens do bem e do mal estão na própria terra - e não no céu ou na capital - desde que o mundo é mundo e todo ele era formoso e não só as suas baías.

na qualidade de jornalista e cidadão residente, resistente e combatente. que não se dobra ante o rolo compressor do "oligopólio das pousadas", tendência hoje numericamente incrustada na gestão do município. mas antes de continuar com outros descritivos, como convém a todo bom combate, vamos ouvir o prefeito e a secretária de turismo para de suas palavras possamos extrair o que realmente acontece hoje em baía formosa, peneirando o que é ação e ou contradição. vamos aguardar então as respostas edis a quem entrevistas já foram endereçadas.

* não conseguimos identificar o autor da foto. caso conheça, ou seja o próprio, entre em contato para aplicação dos créditos e ou remoção da mesma, se for da sua vontade.

1) ala dos marajás: denominação oficiosa a um bairro da cidade, majoritariamente habitado por pessoas ditas de posse e que na sua origem formou-se também pela habitação de quem obteve benesses que dizem alguns chegaram ao recebimento de terrenos sem custo.



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