a própria

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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

terra à vista




(ou a prazo, ou de posse, ou escriturada na mão grande, ou tomada e retomada de quem não devia, ou explorada para outros fins, ou por outros filhos da terra ou de outras terras, e por aqueles filhos das outras de sempre, que todo mundo conhece mas ninguém aponta).

as origens do bem e do mal. viagem ao centro da terra

no princípio, a floresta atlântica e só. com seu formato de estrela, suas lagoas, sua fauna e flora; dunas, com sua vegetação nativa e suas douradas areias; os rios e o mar, o imenso mar, com seus peixes, lagostas, camarões e demais frutos. os índios do lugar batizaram a terra de aretipicaba, vocábulo de origem tupi, segundo câmara cascudo.

de ara papagaio, e tibicaba, tanque, originou-se a denominação "bebedouro dos papagaios".

contudo, no apógrafo espanhol que se encontra na biblioteca de madri, alguns documentos disponíveis para pesquisa não mencionam aretipicaba e sim azatipaticana. nos registros de gabriel soares de souza,1587, assim é descrita a costa local: "entre um e outro rio está a enseada aratipicaba, onde dos arrecifes para dentro entram naus francesas que fazem lá a sua carga". a carga mencionada era o pau-brasil. nesta época, doze anos antes da fundação de natal, já era habitada e também um promissor centro de produção.

em 1612, o nome baía formosa aparece pela primeira vez no mapa de joão teixeira. em 1643, no mapa do holandês marcgrave, aparecem duas novas denominações para a localidade: guaratapeiuba ou baya fermosa. já nos meados do século XVII, deu-se por encerrado o corte de pau-brasil e baía formosa passou a ser área de pesca: o refrigério dos albuquerques maranhães, fazendeiros abastados das cercanias.em novembro de 1892, forma-se o município de canguaretama, construindo-se a seguir a capela de nossa senhora conceição. começam as plantações de cereais, e aumenta a pesca, sobretudo de albacoras,abundantes e famosas pelo sabor, capturadas com a técnica do corso.

o acontecimento mais lembrado na memória popular, segundo câmara cascudo, foi a matança de agosto de 1877, quando joão de albuquerque maranhão cunhaú(1835-1896) senhor do engenho estrela, poderoso latifundiário da região, foi a frente de um grupo armado ao vilarejo desalojar todos os moradores alegando posse indevida e dizendo-se proprietário da enseada. foi recebido por francisco magalhães que liderou um grupo de 13, como ele,pescadores , armados apenas com facas e cacetes, enfrentando em combate furioso a escolta do agressora em defesa de suas casas e famílias.
seis mortes marcaram o episódio, incluindo a do filho do cunhaú. instaurou-se processo. e o próprio chefe de polícia,francisco clementino de vasconcelos chaves, efetuou a prisão do maranhão cunhaú acusado,mandante e participante da chacina.submetido a júri em canguaretama, foi absolvido em 1878.

no século XIX, em 1894, apesar dos constantes conflitos pelo domínio das terras da região, baía formosa já se tornara uma povoação bastante elogiada,oficialmente tornada vila no ano de 1953.
(copy do texto original de nathalie bernardo camara)

em 31 de dezembro de 1958, baía formosa emancipa-se de canguaretama e passa a condição de cidade. mas o conflito entre poderosos e latifundiários de toda sorte continua. tal e qual como veremos nos próximos posts.

com diria rilke, o belo é terrivel(ou vejam lá o que se esconde por trás dele)

um dos muitos canos pelos quais entrou(ou saiu, como queira) a beleza de baia formosa



no começo, com vimos no post de abertura, tudo são flores. e matas e córregos de água limpa. manguezais de vivos habitantes, lagoas sem assaltos, matas convidativas, praias limpas e tranquilas. logo tudo começa a mudar - para pior - a boa gente torna-se bucha pra canhão e de tão perdida começa a se contorcer como cachorro que morde o rabo. muitas promessas de políticos de como tornar a cidade promissora para os habitantes que há anos repetem o círculo de credulidade, incredulidade. é o retrato de baía formosa. não é diferente no resto do brasil. mas com diz o ditado popular, lei de murici: cada qual cuide de si. e o si neste caso são os nossos problemas.

depois de muitas histórias, muitas delas ainda desconhecidas, inclusive pela própria população autóctone, os papagaios que hoje bebem na baía são outros. e decididamente não contribuem para manutenção das características de uma povoação de beleza e características diferenciadas, a começar do fato de ser reconhecida como a única baía do estado do rio grande do norte. formosa é realmente a baía, e não só no nome, mas infeliz e desgraçadamente(ainda dá tempo de evitar, sussuram otimistas) de formosura em grau de ameaça já bastante avançado,o que qualquer nariz mesmo não treinado é capaz de constatar, e olho de se ver, que não seja tapado.

a razão desta aviltação social e e cultural, são os interesses de sempre: a gana da grana a qualquer custo, sob golpes que vão da especulação imobiliária, ao desrespeito as leis ambientais, praticas políticas fraudulentas incrustadas no populismo que vai do assistencialismo simploriedade da distribuição de botijões de gás, a aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável visivelmente equivocado na forma de práticas antagônicas ao conceito - e não só - e na falta de uma gestão municipal que, pelo menos, implemente o desenvolvimento humano antes da busca desenfreada do lucro burro e do bem estar particular para além do ego-lucro que escraviza e impregna de valores ainda mais distorcidos aos nativos, acabando por guetificar ("ala dos marajás")¹ o que deveria ser convivência enriquecedora múltipla. por isto, muito antes dos demagógicos títulos de ações de desenvolvimento social-econômico, tendo como substrato o desenvolvimento do turismo, que no brasil, costuma muito mais que desenvolver(como se o turismo fosse panacéia para tudo)atrofiar, ao violentar os paraísos naturais uma vez que ações são sempre baseadas em manobras especulativas - economicas ou políticas - passando longe dos valores de sustentabilidade que respeitem não só as características geográficas mas acima de tudo a geografia humana que nestes locais encontram-se "normalmente" em estado lastimável de miséria. miséria que tende a piorar ainda mais, já que incorpora por indução a prática do vale tudo para " se dar bem", numa mimese ideológica da pratica dos dominadores, que vitima os de bem e perpetua os de mal, causando estragos a sí próprios, uma vez que a chamada indústria do turismo sob tal ótica tem preocupações apenas extrativistas, sem procurar intervir positivamente no meio ambiente(em sentido mais amplo compreendendo também as pessoas e suas mentes) no sentido de educar, treinar, incorporar a população às necessidades de uma nova mentalidade que deve contemplar parcerias, que necessitam bem mais que valores pseudo ecocorretos e sim de educação para todos os envolvidos.

após mais de 40 anos de uma frequência discreta mas constante a baía, e um acompanhamento apaixonado à distância, vamos concretizar a nossa epopeia de finalmente residir num pedacito de terra, adquirido de forma mais legal impossível - sob a rubrica de edital municipal - e que ainda assim, caso do loteamento alto do pau ferro, arrasta toda sorte de ilegalidades cometidas por administrações municipais lesas-pátria ao município e dos cidadãos que não aderem a prática do conluio, da exploração e subjugação dos nativos, ocupando suas terras em troca de quinquilharias, e que mesmo assim, quiçá por ironia, já teve seu pedacito invadido, depredado, quase surrupiado, em ação orquestrada por falsos donatários da capitania assentados em turba que tem terra e se fantasia de sem, calcados no inexistente direito de posse a propriedade por nascimento local, cujo predicado de hora para outra rapidamente abandonam de acordo com a moeda de ocasião, e cujo câmbio é a conveniência de entregar suas "terras de posse" por ninharias ensaiando invadir outras, e de uma certa maneira ação apoiada por gestões municipais que a tudo assistiram sem tomar nenhuma providência a não ser a formulação da antológica frase - de um hoje ex-prefeito - ante o relato da invasão: " não vou brigar com o meu povo".

não é por isso que a baía vai deixar de ser formosa. mas abre corrego para se tornar tenebrosa. e isto não é fala de papagaio. afinal, as origens do bem e do mal estão na própria terra - e não no céu ou na capital - desde que o mundo é mundo e todo ele era formoso e não só as suas baías.

na qualidade de jornalista e cidadão residente, resistente e combatente. que não se dobra ante o rolo compressor do "oligopólio das pousadas", tendência hoje numericamente incrustada na gestão do município. mas antes de continuar com outros descritivos, como convém a todo bom combate, vamos ouvir o prefeito e a secretária de turismo para de suas palavras possamos extrair o que realmente acontece hoje em baía formosa, peneirando o que é ação e ou contradição. vamos aguardar então as respostas edis a quem entrevistas já foram endereçadas.

* não conseguimos identificar o autor da foto. caso conheça, ou seja o próprio, entre em contato para aplicação dos créditos e ou remoção da mesma, se for da sua vontade.

1) ala dos marajás: denominação oficiosa a um bairro da cidade, majoritariamente habitado por pessoas ditas de posse e que na sua origem formou-se também pela habitação de quem obteve benesses que dizem alguns chegaram ao recebimento de terrenos sem custo.



Now playing: Nação Zumbi - Infeste via FoxyTunes

quando o "obrismo" é a marca de um gestor - que já poluía muito antes deste cano - o que se pode esperar liquido e sólido de mais esta? no minimo chorume e muitas e muitas outras "chorumelas"


                                                                           o supra sumo do crime


"Com argumento falho de “drenagem” para águas pluviais, apresentado aos moradores Fernando Júnior (“Zé Pretinho”) e Sarah Brito, pelo secretário de obras Albérico Monteiro, a prefeitura iniciou semana passada mais uma obra ilegal que coloca em risco o Pontal de Baía Formosa, praia conhecida internacionalmente pela qualidade de suas ondas e que alçou à elite mundial o atleta Ítalo Ferreira. A comunidade de surfistas e amigos de Baía Formosa, cidade localizada a 95 km ao Sul da Capital, está se mobilizando contra essa verdadeira AGRESSÃO a um dos cartões-postais mais emblemáticos e mais encantadores de todo o nosso litoral.

No ano passado, a prefeitura foi obrigada a recuar porque a pretensa obra de urbanização do pico foi embargada pelo Idema – com reforço do Ministério Público Federal e Superintendência do Patrimônio da União – por não se enquadrar às normas ambientais. Mas, desde 2010, quando o prefeito e empresário Nivaldo Melo (PSB) assumiu o primeiro mandato público, o Pontal vem sofrendo modificações em sua paisagem natural (como pode ser conferido pelas fotos em anexo), com aterros de rejeitos de construção civil, criando um barranco com objetivo de nivelar por cima, ao nível do seu hotel. Dessa forma, foi possível fazer pavimentação e estacionamentos dos ônibus de turismo, que só servem ao próprio empresário. Diariamente, os veículos tomam conta da área pavimentada, onde não sobra nem um centímetro para caminhadas de transeuntes.

quando se trata de desrespeito ambiental, leia-se crimes ambientais, 
e destruição do patrimônio material e cultural de baia formosa, 
o prefeito nivaldo é um trator.

Nivaldo Melo demonstra que não tem conhecimento a respeito da poluição de praias urbanas como Areia Preta e Ponta Negra (Natal-RN) e outros famosos picos de surf Brasil afora, e em sua própria Recife, de onde ele veio, que agonizam devido à falta de planejamento dos órgãos públicos e empresas privadas. Estamos de luto e em alerta, porque nossa praia está sendo ameaçada de receber todo tipo de sujeira para contaminar e enfeiar o que é belo por natureza. 
 agora como empresário melo é um incansável cavador de oportunidades
para aumentar seu patrimônio; sempre à custa da destruição da natureza

Com suas atitudes de empresário – que destruiu uma imensa duna para fazer o seu hotel, a olhos vistos das autoridades ambientais – e atitudes de gestor – destruindo a praça Eliza Carlota, no centro da cidade, para fazer um empreendimento sem nenhum valor estético ou comercial,  o prefeito demonstra que não tem nenhum senso: lógico, ecológico e estético, e que conduz Baía Formosa ao seu bel-prazer.

Como já foi citado na batalha do ano passado, o Pontal de Baía Formosa deveria ser tratado como “a menina dos olhos de BF”, por sua exuberância, por sua beleza natural, pela qualidade das ondas que moldou o surf do garoto que já é uma lenda, por desbancar o americano campeão 11 vezes, Kelly Slater, nessa primeira etapa do mundial, realizada este mês na Austrália, ficando em nono lugar num grupo de 34 feras do mundo inteiro. Diariamente, treinando no Pontal, temos muitos “Ítalos Ferreiras” sendo conduzidos por essa onda mágica, as direitas mais perfeitas do Nordeste brasileiro. Não vamos deixar que uma “boca de lobo” traga todo tipo de poluição para o nosso pico.Não à destruição do Pontal". 

in tempo: a cara de pau - ou seria de esgoto - desta administração não tem limites. no site oficial de baia formosa o destaque é para a praia do pontal. não me surpreenderia se em breve lá estiver o "chalemar".

* Pontal de Baía Formosa sofre mais um crime ambiental, direto do Natal Notícia  http://jolopes.com.br/

** título e legendas do blog. publicado originalmente no aretipicaba.blogspot.com sucedido por este blog.