a própria

a própria

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

terra à vista




(ou a prazo, ou de posse, ou escriturada na mão grande, ou tomada e retomada de quem não devia, ou explorada para outros fins, ou por outros filhos da terra ou de outras terras, e por aqueles filhos das outras de sempre, que todo mundo conhece mas ninguém aponta).

as origens do bem e do mal. viagem ao centro da terra

no princípio, a floresta atlântica e só. com seu formato de estrela, suas lagoas, sua fauna e flora; dunas, com sua vegetação nativa e suas douradas areias; os rios e o mar, o imenso mar, com seus peixes, lagostas, camarões e demais frutos. os índios do lugar batizaram a terra de aretipicaba, vocábulo de origem tupi, segundo câmara cascudo.

de ara papagaio, e tibicaba, tanque, originou-se a denominação "bebedouro dos papagaios".

contudo, no apógrafo espanhol que se encontra na biblioteca de madri, alguns documentos disponíveis para pesquisa não mencionam aretipicaba e sim azatipaticana. nos registros de gabriel soares de souza,1587, assim é descrita a costa local: "entre um e outro rio está a enseada aratipicaba, onde dos arrecifes para dentro entram naus francesas que fazem lá a sua carga". a carga mencionada era o pau-brasil. nesta época, doze anos antes da fundação de natal, já era habitada e também um promissor centro de produção.

em 1612, o nome baía formosa aparece pela primeira vez no mapa de joão teixeira. em 1643, no mapa do holandês marcgrave, aparecem duas novas denominações para a localidade: guaratapeiuba ou baya fermosa. já nos meados do século XVII, deu-se por encerrado o corte de pau-brasil e baía formosa passou a ser área de pesca: o refrigério dos albuquerques maranhães, fazendeiros abastados das cercanias.em novembro de 1892, forma-se o município de canguaretama, construindo-se a seguir a capela de nossa senhora conceição. começam as plantações de cereais, e aumenta a pesca, sobretudo de albacoras,abundantes e famosas pelo sabor, capturadas com a técnica do corso.

o acontecimento mais lembrado na memória popular, segundo câmara cascudo, foi a matança de agosto de 1877, quando joão de albuquerque maranhão cunhaú(1835-1896) senhor do engenho estrela, poderoso latifundiário da região, foi a frente de um grupo armado ao vilarejo desalojar todos os moradores alegando posse indevida e dizendo-se proprietário da enseada. foi recebido por francisco magalhães que liderou um grupo de 13, como ele,pescadores , armados apenas com facas e cacetes, enfrentando em combate furioso a escolta do agressora em defesa de suas casas e famílias.
seis mortes marcaram o episódio, incluindo a do filho do cunhaú. instaurou-se processo. e o próprio chefe de polícia,francisco clementino de vasconcelos chaves, efetuou a prisão do maranhão cunhaú acusado,mandante e participante da chacina.submetido a júri em canguaretama, foi absolvido em 1878.

no século XIX, em 1894, apesar dos constantes conflitos pelo domínio das terras da região, baía formosa já se tornara uma povoação bastante elogiada,oficialmente tornada vila no ano de 1953.
(copy do texto original de nathalie bernardo camara)

em 31 de dezembro de 1958, baía formosa emancipa-se de canguaretama e passa a condição de cidade. mas o conflito entre poderosos e latifundiários de toda sorte continua. tal e qual como veremos nos próximos posts.

com diria rilke, o belo é terrivel(ou vejam lá o que se esconde por trás dele)

um dos muitos canos pelos quais entrou(ou saiu, como queira) a beleza de baia formosa



no começo, com vimos no post de abertura, tudo são flores. e matas e córregos de água limpa. manguezais de vivos habitantes, lagoas sem assaltos, matas convidativas, praias limpas e tranquilas. logo tudo começa a mudar - para pior - a boa gente torna-se bucha pra canhão e de tão perdida começa a se contorcer como cachorro que morde o rabo. muitas promessas de políticos de como tornar a cidade promissora para os habitantes que há anos repetem o círculo de credulidade, incredulidade. é o retrato de baía formosa. não é diferente no resto do brasil. mas com diz o ditado popular, lei de murici: cada qual cuide de si. e o si neste caso são os nossos problemas.

depois de muitas histórias, muitas delas ainda desconhecidas, inclusive pela própria população autóctone, os papagaios que hoje bebem na baía são outros. e decididamente não contribuem para manutenção das características de uma povoação de beleza e características diferenciadas, a começar do fato de ser reconhecida como a única baía do estado do rio grande do norte. formosa é realmente a baía, e não só no nome, mas infeliz e desgraçadamente(ainda dá tempo de evitar, sussuram otimistas) de formosura em grau de ameaça já bastante avançado,o que qualquer nariz mesmo não treinado é capaz de constatar, e olho de se ver, que não seja tapado.

a razão desta aviltação social e e cultural, são os interesses de sempre: a gana da grana a qualquer custo, sob golpes que vão da especulação imobiliária, ao desrespeito as leis ambientais, praticas políticas fraudulentas incrustadas no populismo que vai do assistencialismo simploriedade da distribuição de botijões de gás, a aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável visivelmente equivocado na forma de práticas antagônicas ao conceito - e não só - e na falta de uma gestão municipal que, pelo menos, implemente o desenvolvimento humano antes da busca desenfreada do lucro burro e do bem estar particular para além do ego-lucro que escraviza e impregna de valores ainda mais distorcidos aos nativos, acabando por guetificar ("ala dos marajás")¹ o que deveria ser convivência enriquecedora múltipla. por isto, muito antes dos demagógicos títulos de ações de desenvolvimento social-econômico, tendo como substrato o desenvolvimento do turismo, que no brasil, costuma muito mais que desenvolver(como se o turismo fosse panacéia para tudo)atrofiar, ao violentar os paraísos naturais uma vez que ações são sempre baseadas em manobras especulativas - economicas ou políticas - passando longe dos valores de sustentabilidade que respeitem não só as características geográficas mas acima de tudo a geografia humana que nestes locais encontram-se "normalmente" em estado lastimável de miséria. miséria que tende a piorar ainda mais, já que incorpora por indução a prática do vale tudo para " se dar bem", numa mimese ideológica da pratica dos dominadores, que vitima os de bem e perpetua os de mal, causando estragos a sí próprios, uma vez que a chamada indústria do turismo sob tal ótica tem preocupações apenas extrativistas, sem procurar intervir positivamente no meio ambiente(em sentido mais amplo compreendendo também as pessoas e suas mentes) no sentido de educar, treinar, incorporar a população às necessidades de uma nova mentalidade que deve contemplar parcerias, que necessitam bem mais que valores pseudo ecocorretos e sim de educação para todos os envolvidos.

após mais de 40 anos de uma frequência discreta mas constante a baía, e um acompanhamento apaixonado à distância, vamos concretizar a nossa epopeia de finalmente residir num pedacito de terra, adquirido de forma mais legal impossível - sob a rubrica de edital municipal - e que ainda assim, caso do loteamento alto do pau ferro, arrasta toda sorte de ilegalidades cometidas por administrações municipais lesas-pátria ao município e dos cidadãos que não aderem a prática do conluio, da exploração e subjugação dos nativos, ocupando suas terras em troca de quinquilharias, e que mesmo assim, quiçá por ironia, já teve seu pedacito invadido, depredado, quase surrupiado, em ação orquestrada por falsos donatários da capitania assentados em turba que tem terra e se fantasia de sem, calcados no inexistente direito de posse a propriedade por nascimento local, cujo predicado de hora para outra rapidamente abandonam de acordo com a moeda de ocasião, e cujo câmbio é a conveniência de entregar suas "terras de posse" por ninharias ensaiando invadir outras, e de uma certa maneira ação apoiada por gestões municipais que a tudo assistiram sem tomar nenhuma providência a não ser a formulação da antológica frase - de um hoje ex-prefeito - ante o relato da invasão: " não vou brigar com o meu povo".

não é por isso que a baía vai deixar de ser formosa. mas abre corrego para se tornar tenebrosa. e isto não é fala de papagaio. afinal, as origens do bem e do mal estão na própria terra - e não no céu ou na capital - desde que o mundo é mundo e todo ele era formoso e não só as suas baías.

na qualidade de jornalista e cidadão residente, resistente e combatente. que não se dobra ante o rolo compressor do "oligopólio das pousadas", tendência hoje numericamente incrustada na gestão do município. mas antes de continuar com outros descritivos, como convém a todo bom combate, vamos ouvir o prefeito e a secretária de turismo para de suas palavras possamos extrair o que realmente acontece hoje em baía formosa, peneirando o que é ação e ou contradição. vamos aguardar então as respostas edis a quem entrevistas já foram endereçadas.

* não conseguimos identificar o autor da foto. caso conheça, ou seja o próprio, entre em contato para aplicação dos créditos e ou remoção da mesma, se for da sua vontade.

1) ala dos marajás: denominação oficiosa a um bairro da cidade, majoritariamente habitado por pessoas ditas de posse e que na sua origem formou-se também pela habitação de quem obteve benesses que dizem alguns chegaram ao recebimento de terrenos sem custo.



Now playing: Nação Zumbi - Infeste via FoxyTunes

quando o "obrismo" é a marca de um gestor - que já poluía muito antes deste cano - o que se pode esperar liquido e sólido de mais esta? no minimo chorume e muitas e muitas outras "chorumelas"


                                                                           o supra sumo do crime


"Com argumento falho de “drenagem” para águas pluviais, apresentado aos moradores Fernando Júnior (“Zé Pretinho”) e Sarah Brito, pelo secretário de obras Albérico Monteiro, a prefeitura iniciou semana passada mais uma obra ilegal que coloca em risco o Pontal de Baía Formosa, praia conhecida internacionalmente pela qualidade de suas ondas e que alçou à elite mundial o atleta Ítalo Ferreira. A comunidade de surfistas e amigos de Baía Formosa, cidade localizada a 95 km ao Sul da Capital, está se mobilizando contra essa verdadeira AGRESSÃO a um dos cartões-postais mais emblemáticos e mais encantadores de todo o nosso litoral.

No ano passado, a prefeitura foi obrigada a recuar porque a pretensa obra de urbanização do pico foi embargada pelo Idema – com reforço do Ministério Público Federal e Superintendência do Patrimônio da União – por não se enquadrar às normas ambientais. Mas, desde 2010, quando o prefeito e empresário Nivaldo Melo (PSB) assumiu o primeiro mandato público, o Pontal vem sofrendo modificações em sua paisagem natural (como pode ser conferido pelas fotos em anexo), com aterros de rejeitos de construção civil, criando um barranco com objetivo de nivelar por cima, ao nível do seu hotel. Dessa forma, foi possível fazer pavimentação e estacionamentos dos ônibus de turismo, que só servem ao próprio empresário. Diariamente, os veículos tomam conta da área pavimentada, onde não sobra nem um centímetro para caminhadas de transeuntes.

quando se trata de desrespeito ambiental, leia-se crimes ambientais, 
e destruição do patrimônio material e cultural de baia formosa, 
o prefeito nivaldo é um trator.

Nivaldo Melo demonstra que não tem conhecimento a respeito da poluição de praias urbanas como Areia Preta e Ponta Negra (Natal-RN) e outros famosos picos de surf Brasil afora, e em sua própria Recife, de onde ele veio, que agonizam devido à falta de planejamento dos órgãos públicos e empresas privadas. Estamos de luto e em alerta, porque nossa praia está sendo ameaçada de receber todo tipo de sujeira para contaminar e enfeiar o que é belo por natureza. 
 agora como empresário melo é um incansável cavador de oportunidades
para aumentar seu patrimônio; sempre à custa da destruição da natureza

Com suas atitudes de empresário – que destruiu uma imensa duna para fazer o seu hotel, a olhos vistos das autoridades ambientais – e atitudes de gestor – destruindo a praça Eliza Carlota, no centro da cidade, para fazer um empreendimento sem nenhum valor estético ou comercial,  o prefeito demonstra que não tem nenhum senso: lógico, ecológico e estético, e que conduz Baía Formosa ao seu bel-prazer.

Como já foi citado na batalha do ano passado, o Pontal de Baía Formosa deveria ser tratado como “a menina dos olhos de BF”, por sua exuberância, por sua beleza natural, pela qualidade das ondas que moldou o surf do garoto que já é uma lenda, por desbancar o americano campeão 11 vezes, Kelly Slater, nessa primeira etapa do mundial, realizada este mês na Austrália, ficando em nono lugar num grupo de 34 feras do mundo inteiro. Diariamente, treinando no Pontal, temos muitos “Ítalos Ferreiras” sendo conduzidos por essa onda mágica, as direitas mais perfeitas do Nordeste brasileiro. Não vamos deixar que uma “boca de lobo” traga todo tipo de poluição para o nosso pico.Não à destruição do Pontal". 

in tempo: a cara de pau - ou seria de esgoto - desta administração não tem limites. no site oficial de baia formosa o destaque é para a praia do pontal. não me surpreenderia se em breve lá estiver o "chalemar".

* Pontal de Baía Formosa sofre mais um crime ambiental, direto do Natal Notícia  http://jolopes.com.br/

** título e legendas do blog. publicado originalmente no aretipicaba.blogspot.com sucedido por este blog.

terça-feira, 21 de junho de 2016

uma questão de princípio, (meios) e fins


                     antes do calçamento, vem o esgoto; e antes do esgoto, e dos espetáculos(shows e festivais) vem a educação moral, política e cívica.


a administração atual de  baia formosa vai "encerrando" a atual gestão consolidando o uso e abuso do " panis et circenses " , rumo ao pico dos descalabros sob o disfarce da implementação de outras capacitações, senão a própria. a promoção de espetáculos ditos, falsamente, culturais, alavancados à eventos de massa, que servem para engrossar ainda mais este o caldo das locupletações, assim como a cimentação de orla e outras sandices, tais como a construção de um unidade de turismo em lugar de uma praça, tendo o município já um centro de turismo solenemente ignorado. 
muita calda preta ainda há por jorrar se o ministério público se der ao trabalho de analisar ações e orçamentos para alem do que se macaqueia para ficar "bem na foto".
infelizmente, muita água vai jorrar antes que se possa dizer limpas ou recuperáveis as fontes do poder.
por enquanto, é isso que se vê.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

não se pode dizer que administração nivaldo melo "nem fede nem cheira". no simbólico e no real, fede e cheira mal *

a obsessão pela reordenação " estratrégica" da orla à frente da sua pousada 
já asfixiou as dunas que não podem mais sequer respirar o mar



.... " Na praia do Pontal, os moradores estão preocupados com um material que foi colocado na areia. Segundo a prefeitura, o rejeito da cana de açúcar estaria sendo usado como adubo* para a reposição da mata nativa. 

“Trouxe pra cá com o intuito de haver um reflorestamento da salsa. Mas a salsa é uma planta nativa que não precisa de nada para que ela floresça. A população de Baía Formosa está preocupada com o que o rejeito pode causar tanto ao ambiente marinho como à população”, disse a geógrafa Sara Brito.

Os moradores temem que, com as chuvas, o rejeito de cana de açúcar seja levado para o mar. “Tudo isso deixa a gente preocupado e angustiado, porque esse é nosso ambiente de lazer e temos que preservá-lo”, disse o surfista Diego Maia.

Os problemas na praia do Pontal são antigos. Em fevereiro de 2014, o RN TV mostrou a polêmica causada pela obra de revitalização de parte da orla. Na época, o projeto previa a construção de um muro, que iria descaracterizar o local. Um ano depois, a obra foi paralisada, mas os moradores continuam preocupados. Depois que a tubulação de drenagem foi concluída, o mau cheiro na praia aumentou. “O rejeito libera gás sulfídrico, essa parte da praia está fedendo a ovo podre”, continuou a geógrafa Sara Brito.

Beta Leite, diretora de Meio Ambiente da cidade, nega que o material possa prejudicar a praia. Segundo ela, a prefeitura está cumprindo determinações do Idema. “Nós tivemos a responsabilidade, até porque foi feito um estudo pelos engenheiros agrônomos e que disse que, realmente, tem um mau cheiro*, mas é porque o material é recorrente dessa matéria orgânica da cana de açúcar. Mas não existe um estudo que comprove que faça mal à saúde humana”, informou.

De acordo como o Idema, a obra foi embargada nesta terça-feira(24/03) durante uma vistoria. " Nós embargamos. Se ele insistir em construir algo nessa área, será infração"**, disse Luiz Augusto, diretor técnico do Idema-RN" ....


* fica a questão: de onde vem este rejeito ? como, a quem, e porque foi adquirido e empregado ?  porque raios alguém quer adubar o que não precisa de adubo ?  se não existem estudos que comprovem que faça mal à saúde também não existem estudos que digam que faz bem ou que é placebo. 

o que se percebe é que quem administra a cidade é o empresário mais preocupado em promover facilitações a sua pousada, pouco se lixando com o bem estar da população ou da natureza. afinal, não é de hoje que se percebe material fétido exalando mau cheiro naquela área, mais concretamente oriundo do chalemar. 

cheira mal. cheira muito mal. e não é de hoje. aliás o mau cheiro de baía formosa já sente a entrada da cidade com aquela "coisa" que se tornou o centro turístico obra de gestão passada e que foi " inexplicavelmente " ignorada e abandonada pela gestão atual. 

** "Em fevereiro de 2014, o Instituto emitiu uma notificação para a paralisação da obra, e em março do mesmo ano, emitiu uma nota técnica, a fim de reavaliar o projeto, exigindo uma série de condicionantes para a execução das obras de urbanização. A prefeitura não cumpriu com as condicionantes.  A  partir de agora, o prefeito terá que atender a determinação do Idema, caso contrário, será autuado com multa que varia de R$ 15 mil à R$75 mil reais."

* originalmente publicado em 26/03/15, no aretipicaba.blogspot.com que cede lugar a este blog.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

da natureza do homem, destruir a natureza sob o (falso) pretexto de melhorá-la? *




no mundo web - e no real - cada vez mais baia formosa vai perdendo os encantos que lhe deram o nome, e as tais virtudes(sem deméritos) de cidade pequena, para ganhar os defeitos da cidade grande: descaso ambiental, lixo, poluição, violência, truculência e todo o tipo de safardanagem política com objetivos escuso$, que a colocam em perigoso processo de irreversível degradação. degradação esta que: como não poderia deixar de ser, no processo em curso, atinge sob o ponto de vista ético e moral, toda a sua população. e que já se torna visível, inclusive, pelo peso das edificações que vergam a natureza em si e a natureza das coisas que findam sem caráter.

a bola da vez é a manifestação dos surfistas preocupados com suas ondas. o que pode parecer esporádico, pueril e irrelevante é muito em contrário uma boa onda. mesmo que não seja desta vez que vá gerar uma "parede"(basta uma parede não precisa um tsunami) que varra da cidade a borra que ameaça seu litoral. 

transcrevemos parte do "manifesto" que pede pelo pontal outros olhares que não aqueles que mistificam "progresso e desenvolvimento".  e que sob o epíteto de uma falsa sustentabilidade em nome da verdadeira, buscam confundir ainda mais uma  população cuja dieta de pão e circo(leia-se shows de música de qualidade idêntica a calda que o "desenvolvimento" passou a jorrar às suas praias) típica de uma administração, que a bem da verdade, registre-se, não apresenta originalidade em seus desmandos: apenas reproduz a praga que assola as cidades congêneres a baia formosa.

passemos a alguns trechos:

"As ondas do Pontal podem ser prejudicadas*

A urbanização em Baía Formosa (RN) pode prejudicar as ondas do famoso Pontal. "Melhor pico de surf do Rio Grande do Norte, e um dos melhores do Nordeste e do Brasil, corre sério risco destruído a título de uma urbanização descabida e sem propósito.

O prefeito e empresário Nivaldo Melo (PSB), cujo hotel fica ao lado do Pontal de Baía Formosa, ao longo de suas duas gestões tem devastado o point dos surfistas, descaracterizando a paisagem natural com obras de pavimentação que já alcançaram um limiar bem perigoso.
No entanto, ainda não satisfeito com o estacionamento feito para os ônibus de turismo que diariamente levam clientes (lucro) exclusivamente até seu estabelecimento, ele pretende executar um projeto de urbanização no Pontal de Baía Formosa, com direito a retirada de coqueiros e construção de muro de contenção, além de outras modificações a título de “melhorias” e “urbanização”. 
Isto é, muito concreto por nada. Pra quê? A natureza agradece permanecer do jeito que está e a comunidade de surfistas e de veranistas também. População, veranistas, surfistas, turistas e vereadores de oposição são favoráveis à preservação do meio ambiente e dizem em coro: não à urbanização do Pontal de Baía Formosa.
Os problemas são muitos: até agora, não foi apresentado nenhum estudo da necessidade do muro, muito menos quanto ao comprometimento que com certeza a obra trará à ondulação natural do mar, que rende as melhores direitas (ondas) do Nordeste.
As pessoas que frequentam Baía Formosa gostam de natureza, de paisagens naturais, da tranquilidade que lhe é peculiar. O interesse em urbanizar por urbanizar é exclusivo do prefeito e de seus interesses como empresário. A cada ano, o seu hotel - que é localizado irregularmente em cima de dunas - é ampliado paulatinamente, o que nos oferece uma clara visão do quanto irresponsável e devastador da natureza ele é. Além disso, o esgoto do enorme estabelecimento escorre para o mar, exatamente para o Pontal. O muro de arrimo seria uma forma de esconder essa prática completamente absurda. Portanto, em vez de asfaltar as praias, ele deveria fazer obras de saneamento básico. Até porque outro esgoto forma uma grande cachoeira que mina água diariamente para a famosa Baía, na praia do Porto. Não à urbanização e sim ao saneamento básico.
Famosas direitas nordestinas - O Pontal de Baía Formosa foi descoberto na década de 70 e, desde então, tem atraído atletas de todo o mundo, durante o ano inteiro, devido à constância das ondas. O surfista Fábio Gouveia (PB), que já foi campeão mundial, praticamente aprendeu a surfar em BF, como é conhecida carinhosamente a cidade que é linda por natureza e não merece tanto desrespeito.
O histórico de Nivaldo Melo como prefeito e como empresário é de destruição da paisagem natural. Desde o primeiro mandato, ele empreendeu obras que descaracterizam as ruas, praças e praias, como é o caso da antiga praça Elisa Carlota, que era um mirante natural e hoje é uma imensidão de concreto na falésia. Uma obra de risco, além de medonha de tão feia.
Ora, se Baía Formosa é conhecida mundialmente no meio surfista devido à qualidade de suas ondas, por ser um celeiro de excelentes profissionais, como é o caso de Alan Jhones, Ítalo Ferreira e José Júnior Chupeta, atletas que vivem exclusivamente do surf, e outros, como Israel Júnior e Vitória Rodrigues, a lógica seria investir em qualidade de vida, em melhorias ambientais, em educação ambiental. E não em concreto, em asfalto".
(Urbanização ameaça Baía Formosa (RN) no www.cearasurf.com.br)


isto posto, endosso que, sim, este tipo de urbanização "prejudica as ondas" e não só. houve uma certa miopia política em creditar agradecimentos a comunidade do surf - a cidade toda; e os turistas que interessam, os que tem sensibilidade que não foi asfaltada agradecem - seria não só mais simpático como verdadeiro, além de ampliar o movimento que ao fim e ao cabo é de todos . 
já quanto a desculpa useira e vezeira da efetivação das obras em nome do incremento do turismo, diria en passant (abordarei em novos posts) que tipo de turismo? turismo de massa? depredador; cujo gasto per capita não compensa os problemas que traz; ainda mais numa cidade cuja infraestrutura não atende nem seus habitantes?! e que não por coincidência só beneficia o feudo chalemar (e similares)? aquela construção medonha que avança sobre tudo e todos ao comando de quem diz governar em nome dos habitantes mas só governa por e para si? poupem-me da hipocrisia que a maré virou. 
o que está acontecendo em baía formosa é algo que como afirmamos acima, transcende a natureza das coisas ditas naturais. basta olhar o estado do centro turístico - inserido no loteamento alto do pau ferro, abandonado pela administração nivaldo melo - tornou-se a casa grande abandonada de uma imensa vacaria. e isto a entrada de uma cidade cujo edil diz preocupar-se com o turismo?!) sem falar da sua ociosidade enquanto patrimônio edificado. é lá que ônibus, por exemplo, deveriam parar (gerando translado e portanto emprego para bugueiros e afins, sem falar dos boxes de apoio) e nunca atravessar a cidade, moendo vias não projetadas para o peso deste tipo de veículo, menos ainda descer uma ladeira perigosa, apenas para satisfazer os desmandos particulares do empresário que se julga perfeito enquanto prefeito. 
a má onda do "progresso" soprada pela administração nivaldo melo já cavou valas em demasia para os olhares que não estejam comprometidos com a visão, pensamento e atitudes feudais tais como as das vilas que se querem bonitas e só fazem coisas feias, e que mostram que nem sequer como administrador consegue chegar ao verso da canção popular que remete a "força da grana que ergue e destrói coisa belas". tudo que foi erguido é tetérrimo - estética e socialmente falando. e não se trata aqui de clamar pela imobilidade, pela conservação da miséria em nome da comodidade burguesa do gozo da natureza. 
olhar baia formosa hoje, é vê-la com argueiros que metamorfoseiam-se em pedregulhos aos olhos dos verdadeiros amantes de uma cidade que transforma-se sem freios, da bela sem igual para o lugar comum da maioria das cidades que, não tendo seu patrimônio natural, apelam até para a feiura para chamar a atenção. mas fazer isso numa cidade que é formosa de nome, nascimento e curvas? tenham dó. 


mais do que um crime, temos hoje em baia formosa o atestado e legado do que faz a ganância enquanto potencializadora da estupidez humana e vice-versa. ainda mais quando soerguido ao cargo de prefeito o poder executivo tresanda para a destruição do que a médio prazo, bem trabalhado, daria muito mais lucros(para todos) simplesmente por estar ao lado da natureza e não deformando-a como o é todo ato humano que busca transformação na base da picareta e da picaretagem.

* originalmente publicado em 06/12/14, in aretipicaba.blogspot.com que agora sucedido por este blog.